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segunda-feira, 15 de setembro de 2014


 Siga a luz invisível


            Chega do tédio e da pasmaceira sexual. Chega da masturbação (no mal sentido) de fantasiar e nunca chegar lá, nunca chegar à realização, ao desfrute, ao gozo. O que tem impedido as pessoas de gozarem? São poucas as pessoas que interessam e entre essas, tantas ainda estão sofrendo de medo de dar o passo da realização!
           Ah, o terrível medo de ser destruído por seus próprios instintos! O velho medo de se sujar, o medo de ser feio perante papai e mamãe! Pois lhe digo que a sujeira pode ser uma delícia e às vezes os feios vivem melhor que os bonitos!
            Chocante, quando você descobre que o que te provocava repulsa pode agora te despertar desejo, não é?! Então, a imagem que não deveria ser vista rasgou sua imaginação e agora você não pode escapar do que te persegue na sua própria solidão. Sufocante, não é?! A verdade é que não precisa muito pras suas pernas tremerem quando você pensa nisso agora. E mais ainda, você já sabe que nunca gozou na realidade como goza só de imaginar-se fazendo o que "não devia". Ups!!!
           Hummm, e o gozo na real é sempre mais intenso do que só o imaginário. Resistir faz sofrer, mas no fundo do sofrer, a certeza de que você já se rendeu e que tudo é uma questão de tempo faz tudo contribuir como um delicioso investimento para a hora do extravasar final. Oh, a tortura. Oh, a resistência silenciosa, a adesão mentirosa aos preceitos morais e padrões corretos, que só faz a transgressão ser mais apetitosa. Ahhhh, a vontade de abrir o que nunca foi aberto! Ahhh, a vontade de abocanhar o que nunca entrou na boca. Ahhh, arregaçar a fechadura do que foi reprimido!!! Vai, fala pra mim desse arrepiu involuntário que corre a sua espinha. Fala dessa falta de ar que angustia no gozo represado de sonhar com tudo isso! Fala como é imaginar tudo molhado, lúbrico, quase que cheio de eletricidade. Quando tudo dá choque e dá vontade de fugir, de desmaiar para não participar e simplesmente estar lá. Uhhh, ser devassado e devassar em um único salto pra dentro da vida pecaminosa!
           Essa vida pecaminosa eu conheço! Você ainda só imagina a entrada... eu reconheço o cheiro de longe! Ahhh, o cheiro, basta sentir o cheiro e me arrasto sem querer até lá. Ahhh, o cheiro! Dá vontade de nunca mais tomar banho pra nunca mais sair de você! Ahhh, o cheiro que atrai, que faz você rastejar, ir de quatro até a libação do prazer. Ahhh, o tesão de não brincar mais no mundo das aparências, de se despir e entregar-se a submissão pura e simples de servir os sentidos, sem ter que explicar, se desculpar, nem nada. Veja como é dócil o cachorrinho que tão subserviente vai humilde lamber a mão do dono! Você também quer ser como um cachorrinho a lamber a mão do dono, mas tem vergonha! Lambe logo! Vem logo! Descubra a força de ser escravo, orgulhe-se de submeter-se as condições do que você é de verdade e não do que criaram pra você!
           Vem que vou te mostrar a luz; a luz invisível. Olhe em meus olhos! Veja o lobo e a chapeuzinho! Ria muito dessas imagens infantis, mas entenda que você é a chapeuzinho e também o lobo. Saiba que uma parte de você quer dormir candidamente com a vovózinha no final do dia. Uma parte de você quer ignorar as saturnais que acontecem no interior da floresta negra. Uma parte de você quer dormir em segurança com a moral repressora e caduca que te impede de correr riscos. O risco de envergonhar-se de você mesmo. Mas, outra parte de você é o lobo! O lobo não se engana, não tem dúvidas, ele conhece a luz invisível. O lobo prefere a floresta. O lobo traiçoeiro já sabe como comer a chapéuzinho. E bem no fundo tudo que a chapéuzinho quer é ser mesmo comida pelo lobo mal.
           Veja a luz. O que você vê nela? Vê a fúria das bestas selvagens? Vê a sujeira. Sente o susto da sujeira que te atiram ao rosto. Sente o susto de adorar isso que sempre imaginou que te humilharia? Vê corpos nús? Vê seu próprio corpo? Vê seu corpo profanado, sentindo o que nunca sentiu? E tudo isso só pode ser traduzido por uma coisa: delícia?!
           Delicie-se, ora! Deixe abrir. Entre onde quiser! Diga todas as palavras que sempre quis dizer. Faça e aconteça! Morra e viva, pois este é o mistério de Dionísio. Esse é o mistério da luz invisível. A luz que mata e faz viver, revelando por dentro o segredo oculto, o indizível. Vem comigo por este caminho estranho até a Babilônia. Descubra a verdade dos ídolos rejeitados! Descubra que são eles que falam da sua verdade e que onde você buscou antes a verdade encontrou só mentiras. Inverta o que era reto pra o mundo, descortine a subversão que é a única coisa que poderia ser virtude se o mundo não fosse hipócrita. Abrace finalmente no gozo de realizar-se e o que vem junto com a coragem de gozar o proibido: a liberdade!

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