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quinta-feira, 18 de março de 2021

Pierre Molinier

 Arte, excentricidade e sexo, poderia se pedir mais?! Pois bem, a vida do artista Pierre Molinier tem tudo isso. Nasceu em Agen, França, e viveu em Bordéus. Ele começou sua carreira pintando paisagens até que seu trabalho logo se voltou para um erotismo fetichista. Aos 18 anos começou a tirar fotos.

Pierre esteve no serviço militar entre 1921-1922, depois partiu para Paris para desenhar obras-primas. Ele foi aprendiz de seu pai e Pierre Augustin de Fumadelles, um escultor. Em Paris, Molinier teria preferido não ver muita arte dos grandes mestres como um manifesto pessoal sobre "como criar uma obra de arte". 

Nosso artista casou-se com Andrea Lafaye, em 7 de julho de 1931, em Bordeaux.

Começou uma correspondência com André Breton e enviou-lhe fotografias das suas pinturas, sendo posteriormente integrado no grupo surrealista.

Em 1955, Molinier fez contato com o líder surrealista Andre Breton e em 1959 já estava expondo na Exposição Surrealista Internacional. Nessa época, ele definiu o propósito de sua arte como "para meu próprio estímulo", indicando sua direção futura em uma de suas exposições na mostra surrealista de 1965 - um consolo.

Molinier era homossexual e travesti e isto está presente e marcado nos autoretratos de sua obra.

Entre 1965 e seu suicídio em 1976, ele narrou sua exploração de seus desejos transexuais subconscientes em "Cent Photographies Erotiques": imagens graficamente detalhadas de dor e prazer. Molinier, com o auxílio de um botão de controle remoto, também começou a criar fotografias nas quais assumia os papéis de dominatrix e súcuba antes tiradas pelas mulheres de suas pinturas. Nessas fotografias em preto e branco, Molinier, seja sozinho com manequins em forma de boneca ou com modelos femininas, aparece como um travesti, transformado por seu guarda-roupa 'fetichista' de meias arrastão, cinto de suspensão, salto agulha, máscara e espartilho. Nas montagens, um número improvável de membros com meias se entrelaçam para criar as mulheres das pinturas de Molinier.

 Ele declarou que todas as suas obras eróticas foram pintadas para seu próprio estímulo: “Na pintura, fui capaz de satisfazer o fetichismo de minhas pernas e mamilos”. Seu principal interesse em relação à sexualidade não era o corpo feminino ou masculino; Molinier disse que as pernas de ambos os sexos o excitam igualmente, desde que não tenham pelos e usem meias pretas. Sobre suas bonecas, ele disse: “Enquanto uma boneca pode funcionar como um substituto para uma mulher, não há movimento, não há vida. Isso tem um certo encanto quando se está diante de um belo cadáver. A boneca pode, mas não precisa se tornar o substituto de uma mulher ”.

 Nos últimos 11 anos de sua vida, Molinier representou seus momentos mais profundos no 'teatro' de seu 'boudoir - atelier' de Bordeaux. Ele pretendia que suas fotos chocassem, convidando o espectador a trazer para as imagens sua própria resposta de empolgação ou repulsa.

 Na década de 1970, a saúde de Molinier começou a declinar. De modo a fazer de sua própria vida uma narrativa dramática e poética do destino, como seu pai antes dele, Pierre Molinier cometeu suicídio aos 76 anos de idade, enforcando-se em um quarto de hotel. Ele deixou um bilhete dizendo "Estou tirando minha vida. A chave está no concierge". Parece uma brincadeira com a morte, de modo a torná-la banal.

 Seu epitáfio dizia: "Aqui jaz Pierre Molinier, Ele era um homem sem moral”. Assim, deixou a vida afirmando a transgressão que pretendia chocar e que foi seu traço em vida.

 


















 

 





terça-feira, 9 de março de 2021

Sexo, morte e violência


A maioria das pessoas não sabe explicar como sexo, morte e violência se articulam. Porém, não é isso que impede que as pessoas tenham a intuição de que há uma violência por detrás do sexo. Seja na memória da descoberta que os pais faziam sexo que sempre é acompanhada do mal estar de descobrir que a mamãe era fodida pelo papai, seja no preconceito popular que classifica o passivo como inferior ao ativo, e também no sentido que ele sofre a penetração, ou ainda no impulso de fazer um sexo mais agressivo, dar tapas, morder, arranhar, gritar e xingar o outro, por aí se intui a violência.

O sexo é uma exuberância da vida, mas nem por isso a destruição, a violência e a morte são temas que se afastam do sexo. Essa violência implícita algumas vezes se explicita por meio da arte popular. E a sequência de vídeos colocada aqui mostra justamente como temas aparentemente tão distantes como sexo e morte se ligam no imaginário humano.

O primeiro vídeo apresenta toda a elegância de um clipe que trata de abuso e violência em uma relação amorosa com uma letra que versa sobre um amor desencontrado na impossibilidade de se expressar abertamente. Abrimos com o clipe Tell me where it hurt's da banda estadunidense Garbage. A ambientação do vídeo apresenta um glamour burguês da década de setenta e os efeitos de cortes rápidos que acompanham a evolução da música e mostram ou sugerem cenas violentas tem um requinte especial. Tudo isso em uma levada musical que emula o estilo setentista e brilha com os ótimos músicos da banda Garbage, cuja joia em destaque é a vocalista escocesa e ruiva Shirley Ann Manson que protagoniza o clipe.

O segundo clipe também procura uma ambientação setentista, mas com uma fina e leve ironia que brinca com os figurinos das academias de aeróbica da época. Temos em cena o clipe Alive da banda Goldfrapp. A banda britânica Goldfrapp tem em seu repertório desde o dance oitentista até eletro pop soturno, passando por um experimentalismo palatável e provocante. A voz de Alisson Goldfrapp vai do angelical ao sensual e já conquistou elogios de críticos e revistas do mundo todo. O clipe Alive coloca em jogo figuras masculinas punks de aparência agressiva e moças bonitas vestidas para aeróbica na academia e todos como que assistidos e até comandados por Alisson. Ao final do clipe se revela quem eram as verdadeiras ameaças e se consuma o sacrifício ritual, tudo em um clima de vampiro que, novamente deve ser dito, ironiza as imagens tradicionais dessas criaturas. Os efeitos propositadamente bregas não são impeditivos para que o clipe tenha sensualidade e libidos autênticos expressos principalmente pelas caras e bocas de dançarinos do clipe. A letra fala do renascer para um novo amor, como o nascer de um novo sol e da admiração pela atitude do amado.

Pois bem, os dois primeiros clipes eram apenas introdução, agora é que a porca sádica, tarada e pervertida torce o rabo. Nossa, gostei dessa porca, alguém sabe para onde ela foi??? Muito bem, o clipe é feito em parceria entre o francês Juan de Guillebon, conhecido como Dye e o vocalista, DJ e produtor americano  Gregory Broussard, conhecido como Egyptian Lover. O clipe mostra a tentadora Aude Auffret passeando em volta de um ambiente de tiki bar, seu rosto substituído por recortes de imagens da biblioteca de vida selvagem e fontes vulcânicas efervescentes, no estilo do filme "Viagens Alucinantes" (Altered States) de 1980. “Estávamos olhando para as colagens em camadas de John Stezaker e mencionamos um livro de tatuagens e como elas se sentam no corpo”, disse a dupla de cineastas Jean-Philippe Chartrand e Benjamin Mege, que criaram trabalhos animados coloridos para a Modeselektor e o compatriota beat-freak Sebastian, sob o apelido de Dent de Cuir. O vídeo feito para Dye - o curta-metragem extremamente NSFW de Jérémie Périn sobre sexo e sangue para o lançamento de 2011 "Fantasy" - acumulou mais de 48 milhões de acessos no YouTube até agora. “Foi uma coisa difícil de acompanhar”, diz Guillebon. "Espero que este seja louco o suficiente para as pessoas.". O que você verá no clipe She's bad é a animalidade do jogo da presa e do predador transpassados para a cena de sedução e conquista humanas por meio de um diálogo inteligente e criativo de cenas da natureza passando pelo corpo dos protagonistas enamorados.

Finalmente, chegamos ao ápice de nossa proposta em clipes com a temática de sexo, violência e morte. O clipe Corporate Occult com a música de Huoratron (nome artístico do autor finlandês de música eletrônica, Aku Raskie) a direção do cineasta francês Cédric Blaisbois representa em nossa lista o auge de violência ligada ao sexo. O clipe é todo feito no estilo realista, com visão noturna, o que cria uma atmosfera inigualável de suspense e terror. Dentro de um prédio todo escuro se desenrola a aventura sexual de uma garota e um rapaz, repentinamente, em meio a isso, ela se transforma em um monstro e o resultado você deve imaginar.

 

 









 
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domingo, 7 de março de 2021

Posse e Ciúmes


 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    Apesar de achar que as ideias de tentação, vergonha e a culpa exercem uma fascinação espontânea sobre o espírito humano, nunca gostei muito da história bíblica de Adão e Eva. Basicamente porque acho perverso e sádico o deus que brinca de colocar ao alcance algo tentador, mas que é proibido. E também a ideia de que o sexo é o fruto proibido, segundo imaginário popular, piora tudo. Desvirtuação isso! Sexo é prazer e alegria. E ainda produz filhos uns mimos encantadores da vida (dentro de um mínimo de planejamento, é claro). Lembro de um livrinho de catequese que tinha lá em casa, quando menino, a cena da expulsão do paraíso era retratada com uma cena de stress doméstico, criança chorando, mulher cheia de tarefas, marido brigando... Imagine! Bem, apesar de não achar o sexo o fruto proibido do paraíso, não posso deixar de achá-lo a caixa de Pandora. O perigo é um elemento em comum. Eu acho mesmo que há perigo na relação que envolve sexo. Também acho que é por incapacidade de abrir mão da mesquinhez. O ser humano sempre se compara, sempre quer controlar, ter a posse. Puta bobagem isso. Mas, saber que isso é bobagem é uma coisa, não sentir essa bobagem é outra. Não sei porque veio na minha cabeça a maçã do saudoso Raul Seixas. "Porque quem gosta de maçãs irá gostar de todas porque todas são iguais.". Enfim, parece lógico que quando se ama alguém e essa pessoa encontra outra e tem prazer e fica feliz, isso também deveria fazer quem ama feliz. Lógico, mas absurdo pela perspectiva do sentimento. No sentimento o ser humano é exclusivista. Acho que isso passa por uma infantilidade, mas também por outra coisa, ou duas. A primeira é que eu começo a achar que o filósofo Luis Felipe Pondé tem razão: "todos são mal resolvidos em relação ao sexo, por mais que se goste de posar de bem resolvido.". A segunda coisa é que sexo está ligado a morte e violência. Adoro esse tema, especialmente por Georges Bataille, mas não é meu foco agora.
    Acho que tudo isso, ok, até agora. Mas, onde quero chegar com tudo isso? Vamos para o núcleo da questão?! Em relação à sexo, eu gosto da coisa, demais até do que deveria. Porém, não curto trivialidades, a coisa perde a graça pra mim sem elaboração, fantasia e técnica. Calma que estamos chegando lá. Acontece que tudo isso também não funciona se não estiver ligado a um elemento que é o tesão mais espontâneo. Agora estamos quase lá! Esse tesão mais autêntico não acontece se não vier do fundo do nosso ser e o que tem no fundo do nosso ser?: Nossa história. E com nossa história incontáveis perturbações e problemas. Pronto, que gostoso, chegamos! Então, concluí que pra gozar gostoso é preciso um esforço grande de vencer o desafio de entrar em contato consigo próprio. Dá pra gozar sem isso? Dá sim! Mas, não vai ser assim que se vai aos píncaros do Olimpo. Também, não sei pra que isso. Acho que pra maioria das pessoas o sexo pode ser como um pacote de pipoca que tá bom. Me dá desespero pensar nisso, mas a maioria tá feliz assim. E agora?! Agora tem um homem diante de uma mulher. E por artes do sete pele eles decidem que querem ser felizes pra valer e chegar no monte Olimpo. Aí começa a encrenca. Nas minhas observações, hoje, concluí que a mais pura e doce princesa tem dentro de si a funkeira mais ordinária da pista. O que preserva da indecência é que ela ignora isso e pode passar a vida ignorando. O mesmo serve para os príncipes, claro. Aqui começa a novela de Pandora. Não há nenhum problema na puta que vive na Santa. Não é essa a crise. Os terrores da caixa de Pandora de verdade não são esses, é querer se descobrir, ou o pior mesmo, querer que o outro se descubra e supere as amarras, o que só é possível quando se assume perfeitamente cada desejo e descobrimos que nosso, friso, nosso amor, deseja todo mundo. Frisei o nosso, no sentido de posse. Seria perfeito se no fundo não quiséssemos exclusividade, posse e ainda liberdade só para nós de pegar geral. Estamos preparados? Faz sentido pra você o que te disse? Principalmente em que ter prazer de verdade exige se destravar e destravar exige conhecer-se assumir o desejo e os lugares onde ele está.

Pra relaxar com esse tema tenso vou te passar uma coisa que me fez rir muito e revela em especial a fragilidade do orgulho masculino. Ai, ai... Ri muito com isso... Ri tenso...

 

 

 





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