Páginas

domingo, 7 de março de 2021

Posse e Ciúmes


 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    Apesar de achar que as ideias de tentação, vergonha e a culpa exercem uma fascinação espontânea sobre o espírito humano, nunca gostei muito da história bíblica de Adão e Eva. Basicamente porque acho perverso e sádico o deus que brinca de colocar ao alcance algo tentador, mas que é proibido. E também a ideia de que o sexo é o fruto proibido, segundo imaginário popular, piora tudo. Desvirtuação isso! Sexo é prazer e alegria. E ainda produz filhos uns mimos encantadores da vida (dentro de um mínimo de planejamento, é claro). Lembro de um livrinho de catequese que tinha lá em casa, quando menino, a cena da expulsão do paraíso era retratada com uma cena de stress doméstico, criança chorando, mulher cheia de tarefas, marido brigando... Imagine! Bem, apesar de não achar o sexo o fruto proibido do paraíso, não posso deixar de achá-lo a caixa de Pandora. O perigo é um elemento em comum. Eu acho mesmo que há perigo na relação que envolve sexo. Também acho que é por incapacidade de abrir mão da mesquinhez. O ser humano sempre se compara, sempre quer controlar, ter a posse. Puta bobagem isso. Mas, saber que isso é bobagem é uma coisa, não sentir essa bobagem é outra. Não sei porque veio na minha cabeça a maçã do saudoso Raul Seixas. "Porque quem gosta de maçãs irá gostar de todas porque todas são iguais.". Enfim, parece lógico que quando se ama alguém e essa pessoa encontra outra e tem prazer e fica feliz, isso também deveria fazer quem ama feliz. Lógico, mas absurdo pela perspectiva do sentimento. No sentimento o ser humano é exclusivista. Acho que isso passa por uma infantilidade, mas também por outra coisa, ou duas. A primeira é que eu começo a achar que o filósofo Luis Felipe Pondé tem razão: "todos são mal resolvidos em relação ao sexo, por mais que se goste de posar de bem resolvido.". A segunda coisa é que sexo está ligado a morte e violência. Adoro esse tema, especialmente por Georges Bataille, mas não é meu foco agora.
    Acho que tudo isso, ok, até agora. Mas, onde quero chegar com tudo isso? Vamos para o núcleo da questão?! Em relação à sexo, eu gosto da coisa, demais até do que deveria. Porém, não curto trivialidades, a coisa perde a graça pra mim sem elaboração, fantasia e técnica. Calma que estamos chegando lá. Acontece que tudo isso também não funciona se não estiver ligado a um elemento que é o tesão mais espontâneo. Agora estamos quase lá! Esse tesão mais autêntico não acontece se não vier do fundo do nosso ser e o que tem no fundo do nosso ser?: Nossa história. E com nossa história incontáveis perturbações e problemas. Pronto, que gostoso, chegamos! Então, concluí que pra gozar gostoso é preciso um esforço grande de vencer o desafio de entrar em contato consigo próprio. Dá pra gozar sem isso? Dá sim! Mas, não vai ser assim que se vai aos píncaros do Olimpo. Também, não sei pra que isso. Acho que pra maioria das pessoas o sexo pode ser como um pacote de pipoca que tá bom. Me dá desespero pensar nisso, mas a maioria tá feliz assim. E agora?! Agora tem um homem diante de uma mulher. E por artes do sete pele eles decidem que querem ser felizes pra valer e chegar no monte Olimpo. Aí começa a encrenca. Nas minhas observações, hoje, concluí que a mais pura e doce princesa tem dentro de si a funkeira mais ordinária da pista. O que preserva da indecência é que ela ignora isso e pode passar a vida ignorando. O mesmo serve para os príncipes, claro. Aqui começa a novela de Pandora. Não há nenhum problema na puta que vive na Santa. Não é essa a crise. Os terrores da caixa de Pandora de verdade não são esses, é querer se descobrir, ou o pior mesmo, querer que o outro se descubra e supere as amarras, o que só é possível quando se assume perfeitamente cada desejo e descobrimos que nosso, friso, nosso amor, deseja todo mundo. Frisei o nosso, no sentido de posse. Seria perfeito se no fundo não quiséssemos exclusividade, posse e ainda liberdade só para nós de pegar geral. Estamos preparados? Faz sentido pra você o que te disse? Principalmente em que ter prazer de verdade exige se destravar e destravar exige conhecer-se assumir o desejo e os lugares onde ele está.

Pra relaxar com esse tema tenso vou te passar uma coisa que me fez rir muito e revela em especial a fragilidade do orgulho masculino. Ai, ai... Ri muito com isso... Ri tenso...

 

 

 





Visualização para Celular
 
 
 





 


Nenhum comentário:

Postar um comentário