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terça-feira, 28 de julho de 2020

Batata Quente

Minha sexualidade é uma batata quente. Pegar ela e saber o que fazer é difícil. Primeiro tem que me desejar. Comprometo-me que isso não será difícil. Mas só vale isso pra quem tem fome. Quem não conhece a tristeza da fome e não me deseja como um condenado diante da última refeição que nem me convide pra jantar. Tem que ter tesão pra saber o que fazer comigo, sem tesão não dá. Tesão fraquinho não me interessa. Tem que acordar de noite atormentada, sem saber o que fazer de tanto tesão. E depois de ralar-se até sair sangue, tem que chorar aflita porque nunca chega ao cabo da satisfação. Tem que ser anti-herói perturbada nos becos da mente pra ficar comigo. Não pode ter nojinho e mimimi. Ai, sai com essas coisas de mim! Tem que ter gosto em se espojar e lambuzar. Para segurar essa barra tem que ter a mente inquieta, tem que ser cientista louca, musica multi instrumentista e experimentalista, alopata, quiropata e psicopata. Eu gosto das mulheres que dizem sim e que não tem vergonha de ser assim! Que seja serial killer ou psicoputa! Quero dormir com medo de acordar amarrado e com uma faca no pescoço. Tem que gostar de músicas do kid abelha, das bandas metrô e sempre livre. Gosto de gatas surradas de rua, mulher com passado que aprendeu o valor de um momento feliz. Nada de novinhas aqui. Que elas sejam banidas! Só valem as coroas. Balzaquianas modernas, que atualizadas aos nossos dias tem de quarenta anos pra cima. Mulher intimidadora é que é bom. Segura de si, independente do chassi. Que faz, olhando e sorrindo. Madura no melhor sentido. Tenho preparo psicológico pra lidar com a sensação de ser um pirulito na boca do tubarão e sei truques de jiu-jitsu pra virar o jogo e ficar por cima do oponente sem perder a ereção. Agora vem meu amor! Vem pra me destruir, que eu aguento!

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