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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

As imbatíveis putas velhas

 

 


Elas são antigas como Roma, tem a idade do pecado. Elas fazem aquilo que tudo mundo faz, mas como você nunca viu fazerem. São como bailarinas ou pianistas aposentadas, que já provaram ao mundo sua excelência e se ainda se apresentam, agora é apenas por prazer. Nessa maturidade segura de si se combinam a perícia e o prazer alegre. Fazer agora é um gáudio feito de descompromisso lúdico e a certeza de quem conhece a arte e toda sua beleza. Pode chamá-las de putas, essa palavra elas levam não como uma ofensa, mas como um título glorioso. São veteranas que voltam vitoriosas de batalhas memoráveis. E para além de memórias de feitos e façanhas, sabem que nunca serão derrotadas em seu jogo. Podem se dar ao luxo de dispensar a vaidade excessiva. Cuidam sobretudo da técnica, da performance e sabem que por mais bela que seja uma mocinha, esta terá que aprender com elas e reverenciá-las. Sabem que por mais exigente que seja um homem sobre aparências e outras leviandades, nenhum dispensaria seus agrados e que bastaria vê-las em ação para ficarem loucos e desejarem uma oportunidade com elas. Não adianta se apegar a elas, o mundo as deixou sedentas de mais, de ir além. Quem seria homem suficiente para elas escolherem se deter pra sempre com ele? Ah, essas imbatíveis putas velhas. Que arte, que beleza! Seu encanto não se acaba e elas entram pra eternidade. Feliz de quem leva a recordação de com uma delas ter lutado os combates de Vênus.

 



 



 

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